Zacarias

 

Zacarias (hebr. Zekar-Yah, "O Senhor se lembra"), contemporâneo de Ageu, iniciou seu ministério profético em 520 a.C. A data mais antiga que consta no livro é 518 a.C. (Zc. 7:1), o quarto ano de Dario.

Antecedentes históricos: Ciro, o rei persa, assinou um decreto (c. 538 a.C.), dizendo que todos aqueles que desejassem retornar a Jerusalém para a reconstrução do templo tinham sua permissão (cf. II Cr. 36:22,23; Ed 1:1-4). Cerca de 50.000 exilados aproveitaram-se deste momento e determinaram reestabelecer-se na terra e restaurarem o templo. Os samaritandos, por não terem recebido licença de participarem da reconstrução, opuseram-se ao projeto ( Ed. 4:5). Quando Dario assumiu o trono em 521 a.C., os profetas Ageu e Azarias estimularam seus compatriotas a retormarem à tarefa, orientada por Zorobabel e Josué (governador e sumo sacerdote, respectivamente). Tatenai, governador persa do território ocidental do Eufrates, questionando a reconstrução, interrompeu a obra e questionou ao rei Dario, que ratifiou o decreto de Ciro, e autorizou a retomada da obra (Ed. 5:6 - 612). Mas, após tantos impedimentos, o povo sentiu-se desestimulado a continuar a empreitada, achando que Deus não estava empenhado na obra. Neste contexto, Ageu e Zacarias tentam despertar a nação da sua indiferença. O povo reage, e termina a obra em 516 a.C, o sexto ano do rei Dario.

O livro de Zacarias é o mais longo dos doze Profetas Menores, com passagens de difícil compreensão; o Novo Testamento traz muitas referências a este livro, que possui semelhanças com o livro do Apocalipse, principalmente o modo visionário de exposição do profeta. Como Ageu, ele começa seu livro exortando o povo à reconstrução do templo, mas refere-se a muitas fases da vida espiritual da nação, e trata com notável amplidão dos acontecimentos proféticos que preparam o caminho para a volta e o reinado do Messias.

 

Esboço do livro:

Introdução: Chamado ao arrependimento. 1:1-6

As visões noturnas de Zacarias. 1:7 - 6:15

    1. A visão dos cavalos e dos cavaleiros. 1:7-17
    2. A visão dos chifres e dos ferreiros. 1:18-21
    3. A visão do topógrafo. 2:1-13
    4. A visão de Josué, o sumo sacerdote. 3:1-10
    5. A visão do candelabro de ouro. 4:1-14
    6. A visão do rolo rolante. 5:1-4
    7. A visão da mulher na efa. 5:5-11
    8. A visão dos carros. 6:1-8
    9. A coroação de Josué. 6:9-15
    10. Perguntas sobre o jejum. 7:1 - 8:23

    11. As perguntas. 7:1-3
    12. A lição da história. 7:4-14
    13. propósito de Deus em abençoar Israel. 8:1-23
    14. O futuro das nações, Israel e o reino do Messias. 9:1 - 14:21

    15. A primeira sentença. 9:1 - 11:17
    16. As vitórias de Alexandre, o Grande. 9:1-8

      O reinado de paz do Messias. 9:9,10

      As vitórias dos Macabeus. 9:11-17

      Bênçãos através do reinado do Messias. 10:1-12

      A rejeição do Bom Pastor. 11:1-17

    17. A segunda sentença. 12:1 - 14:21
    18. Os poderes mundiais contra Jerusalém. 12:1-14

      A terra e o povo purifcados. 13:1-6

    19. Pastor ferido e o remanescente. 13:7-9
    20. O retorno visível do Messias à terra. 14:1-5
    21. santo reino do Messias. 14:6-21

 

 

 

  1. Introdução: Chamado ao arrependimento. 1:1-6
  2. O proteta declara, de modo enfático, o aborrecimento divino com os pais de seus patrícios. Não só a negligência com o templo, mas, principalmente, a falta de visão espiritual, pois a volta do exílio não bastava para agradar ao Senhor, mas a nação deveria mostrar arrependimento sincero, e tornar-se para Deus, a fim de que Ele se tornasse ao povo.

     

    As visões noturnas de Zacarias. 1:7 - 6:15

    Três meses após a primeira mensagem, foram concedidas ao profeta oito visões, em uma só noite. Essas visões formam uma unidade, cuja chave está na primeira visão.

    1. A visão dos cavalos e dos cavaleiros. 1:7-17
    2. "...um homem montado num cavalo vermelho..." (v.8). Este homem será chamado "o anjo do Senhor" nos versículos 11 e 12, referência comum no A.T ao próprio Deus. O significado do cavalo vermelho pode ter uma conotação de guerra, de juízo contra Israel (que pode estar sendo simbolizado pelas murtreiras). Deus envia uma missão de reconhecimento por toda a terra, e estes trazem um relato fora do comum: tudo está em paz. Deste modo, o anjo intercede para que Deus tenha compaixão de Jerusalém (V.12), ao que o Senhor responde ao anjo com palavras boas, consoladoras (v. 13). Além disso, era confortador o fato de o Senhor estar zelando por seu povo (v. 14) e que seu juízo contra as outras nações, que desfrutavam de paz momentânea (v. 15). Finalmente, Deus revela sua atitude misericordiosa com Jerusalém e promete posperidade para seu povo (vs. 16-17).

    3. A visão dos chifres e dos ferreiros. 1:18-21
    4. O chifre, em toda a Bíblia, simboliza poder. Aqui, é difícil estabelecer as nações representadas pelos chifres. Ao utiizarmos outros textos (como Daniel e Apocalipse), podemos atribuí-los as nações babilônica, persa, grega e romana, mas não é algo conclusivo. Os ferreiros (palavra empregada em relação a qualquer trabalhador especialiado em madeira, metal ou pedra) simbolizam os instumentos de juízo de Deus sobre os impérios que castigaram a Israel.

    5. A visão do topógrafo. 2:1-13
    6. O profeta vê um anjo com um cordel de medir, e este vai medir Jerusalém, para ver se ela comporta a todos os exilados. Mas este é interpelado por outro anjo, que lhe diz que a cidade será ampliada para além de seus limites. Além disso, a glória da Shekinah do Senhor está sendo prometida aqui, e seu cumprimento é aguardado.

      O Senhor exorta ao povo que continua na cidade condenada a retornar, estes que foram espalhados de modo intenso (v. 6-7). No versículo 8, temos a referência ao Messias, enviado por Deus para vindicar a Sua glória junto às nações que oprimiram a Israel. A partir do versículo 10 até ao final, vemos a alegria final de Sião, agora completa com a vinda do Messias, que habitará no meio de seu povo, na cidade santa. O fato da expansão desta bênção para todos os povos não prejudicará a glória de Israel, que é a herança do Senhor (vs 11-12).

    7. A visão de Josué, o sumo sacerdote. 3:1-10
    8. Aqui, o tema é a reinstalação do ofício sacerdotal. Um sacerdócio impuro tinha provocado a desgraça de Israel , e agora necessitava de purificação. Josué era o sumo sacerdote e estava diante do Anjo do Senhor, quando começa a ser acusado por Satanás (v. 1). O Messias pede ao Pai que repreenda Satanás, não porque Israel fosse justa, mas porque Deus a tinha escolhido. O tição refere-se a Israel, que ainda será um instrumento da bênção de Deus para o mundo (v. 2). As vestes sujas de Josué simbolizam sua condição de pecador, e o ato de troca das vestes e a colocação do turbante limpo em sua cabeça simbolizam a purificação e o revestimento total do sacerdócio (v. 3-6; cf. Ex. 28:36-38).

      Após sua restauração, vemos uma advertência para a manutenção de sua condição de sacerdote e para a execução de seus ofícios (v. 7). O termo homens de presságio significa, literalmente, "homens que são um sinal", um modelo que aponta para outro. Aqui, está claro que apontam para o Messias, ao qual nos referimos como Servo e Renovo (v. 8). A pedra também é uma figura do Messias, aludindo a todas as suas graças, belezas e dons, que o tornavam capacitado para sua Grande obra (v. 9).

      O convite para debaixo de árvores frutíferas do versículo 10 é uma alusão à prosperidade de Israel, garantida pelo Senhor, quando o povo mantém com Ele o devido relacionamento (cf. Mq 4:4 e I Rs. 4:25). O único lugar de perfeita segurança é estar no centro da vontade de Deus.

    9. A visão do candelabro de ouro. 4:1-14
    10. Assim como a visão do cap. 3 destinava-se ao encorajamento de Josué, esta visão destina-se ao fortalecmento de Zorobabel, em razão de ter sido impedido muitas vezes de continuar a reconstrução do Templo. O candelabro de ouro (v.2) é uma figura com a qual o profeta está familiarizada, conhecida desde o Tabernáculo de Moisés (cf. Ex.25:31-40) e com o Templo de Salomão. Este candelabro da visão, entretanto, é um pouco diferente, pois apresenta alguns detalhes peculiares. As sete lâmpadas e os sete tubos representam uma idéia de suprimento ilimitado de azeite.

      No versículo 6, Deus revela a Zorobabel que seu trabalho será levado adiante, mas não por força nem perícia humanos, mas daria frutos através do Espírito de Deus, aqui simbolizado pelo azeite. Não haveria nenhum obstáculo no caminho de Zorobabel (v.7), para que ele pudesse concluir o Templo, onde o povo invocaria a graça e o favor divinos (v.8) depois da conclusão.

      Na época da construção, houve quem fizesse comparações desfavoráveis entre esse templo e o glorioso Templo de Salomão. Daí, chamar esse momento de reconstrução de "dia das coisas humildes" (v.10). Os homens poderiam olhar com desdém para o trabalho ora executado, mas o Senhor viam com satisfação a construção de Zorobabel, cuidando Ele próprio dela.

      As duas oliveiras do candelabro representavam os ungidos, através dos quais a graça de Deus era mediada a Seu povo. Aqui, os dois ungidos são Josué e Zorobabel, e aquele que transmite todas as bênçãos é o Senhor Jesus Cristo.

    11. A visão do rolo rolante. 5:1-4
    12. Um rolo, nas Escrituras, é o veículo da transmissão de declaração de uma sentença (Ez.2:9,10). Antes de Israel tornar-se a luz do mundo, ela tinha de ser julgada pelo pecado. O rolo aparece aberto (v.2) para que seu conteúdo fosse visível. O fato de estar voando indica que todos tomariam conhecimento da sentença, em breve. A maldição a que se refere o versículo 3 consta na aliança mosaica (Dt.27:15-26; 28:15-68). O furto e a jura falsa são dois mandamentos da lei mosaica, e representam transgressão contra os homens e contra Deus. Aqui, eles aparecem como representantes para toda a lei de Moisés.

    13. A visão da mulher na efa. 5:5-11
    14. O efa era uma medida de capacidade para sólidos, equivalente a 37 litros, de acordo com alguns estudiosos. Aqui, foi utilizado como simbolizando o aparecimento do mal sobre a terra. A tampa de chumbo (v.7) é levantada, para que se possa ver o que há dentro: uma mulher, que é uma personificação da iniquidade (cf Pv. 2:16; 5:3,4). Logo após ser aberto, o efa novamente é fechado (v.8), apareceram duas mulheres (v.8), e levam-no até a terra de Sinear (v.11), lugar referente a Babilônia (cf. Gn.10:10,11; Is.11:11). Nesse lugar houve a primeira rebelião generalizada contra Deus; na Bíblia, ela representa confusão em questões morais, idolatria e impureza (cf. Ap.17:3-5). Enfim, tudo o que se opõe a Deus e à Sua justiça culmina na Babilônia.

    15. A visão dos carros. 6:1-8

A visão dos carros completa a série de visões de Zacarias, concluindo a idéia apresentada na primeira visão. Os carros colocam em ação o juízo decretado pelo Senhor. O número quatro representa os agentes divinos através dos quais ele está para derramar o juízo sobre os adversários de Israel. Os montes são o Moriá e o das Oliveiras. Nos versículos 2 e 3, as cores dos cavalos podem representar:

 

Eles saem para realizar seu trabalho, conforme a vontade de Deus (v.5). No versículo 8, a menção à Terra do norte refere-se à Babilônia, de onde o remanescente fora libertado através do juízo de Deus, pela instrumentalidade de Ciro.

 

 

    1. A coroação de Josué. 6:9-15
    2. Como um pós-escrito de suas visões, Zacarias conclui com um ato simbólico. Três homens vieram como uma delegação da Babilônia à casa de Josias, filho de Sofonias, com um presente dos exilados para a construção do Templo. No versículo 11, a "coroa" representa uma coroa esplêndida feita de diversas argolas, pois destinava-se apenas para Josué, um tipo de Messias, tanto em seu nome como em seu ofício. Interessante notar que a coroa não faz parte da indumentária sacerdotal, pois pertencia ao ofício real; o que pertence ao ofício sacerdotal é a mitra.

      A figura do Messias nos versículos 12 e 13 é a mais inclusiva do A.T. A ideía de renovo é a de humildade e simplicidade. O templo do Senhor, aqui, não é o templo construído por Zorobabel, mas a Igreja, com Cristo como a Cabeça e Seus eleitos como corpo. Ele será um Rei-Sacerdote (cf Sl.110:4). Em uma só pessoa haverá reunião das dignidades sacerdotais e reais, que se mesclarão na Pessoa do Messias (v.13). A coroa deveria ser guardada como memorial da piedosa preocupação da delegação pelas coisas de Deus. Zacarias, no versículo 15, vê a delegação que veio de Babilonia como representante dos gentios que virão no reino do Messias para construir o Templo do Senhor.

       

      Perguntas sobre o jejum. 7:1 - 8:23

    3. As perguntas. 7:1-3
    4. aA obra vinha progredindo, através do trabalho diligente no Templo. Novos lares surgiram em Jerusalém, e as marcas das ruínas foram desaparecendo. Alguns homens de Betel foram enviados a Jerusalém com dois propósitos: suplicar as bênçãos de Deus e perguntar a respeito dos jejuns espirituais (v.2). A pergunta era: Com todas as marcas da nova vida na economia nacional, será que ainda é necessário que continuemos chorando e jejuando, como fazíamos nos tempos de exílio ? A pergunta parecia indicar que que o jejum era algo maçante e incômodo.

    5. A lição da história. 7:4-14
    6. "Acaso foi para mim que jejuastes ?" (v.5). Com um golpe magistral, essa pergunta arrasou com toda a pretensão e hipocrisia de seus ritos e e cerimônias. Deus não instituiu esse jejum, e tampouco eles o faziam para glorificá-Lo. Deus deseja a vontade interior. "Não é para vós outros que comeis ?" (v.6). Em suas festas, manifestava-se sua perspectiva egoísta. Tanto numa como em outra prática, eram farisaicos e auto-suficientes. Eles não deveriam preocupar-se em amontoar jejum sobre jejum (cf. IS.58:1-9), mas deveriam obedecer a Deus. O pecado era a causa do seu jejum; se fosse abondonado, o jejum não seria mais necessário.

      Eles deveriam mostar, na verdade, o juízo verdadeiro, o que alegra sobremaneira o coração do Criador (v.9). Os menos afortunados e desprotegidos são sempre uma preocupação especial do Senhor; qualquer bondade com eles seria especialmente agradável aos Seus olhos (v.10). Entretanto, Israel não deu ouvidos (v.11), o que resultou na grande ira (v.12). Como não deram ouvidos a Deus para praticarem a misericória, Deus retribuiu da mesma maneira, não ouvindo o clamor do povo (v.13). Mais do que isso, espalhou o povo entre todas as nações (a princípio a nação fora espalhada principalmente pela Assíria e Babilônia, mas aqui pode signifcar a previsão do que aconteceria aos judeus, devido a sua rejeição ao Messias); agora, a terra que antes fora um deleite, era um lugar abandonado. Apesar de a destruição ter sido causada pelo inimigo, a responsabiliade era de Israel, porque seu pecado fora a causa (v.14).

    7. propósito de Deus em abençoar Israel. 8:1-23
    8. Apesar de tudo isso, Deus mostra-se preocupado com Israel e pretende restaurá-la (v.2). Ele voltará para Sião (v.3), e esta será a cidade fiel. Restaurará o quadro de paz e segurança (v.4). As guerras não mais se intrometerão para interromper as vidas e expectativas da juventude (v.5). Embora essas predições pudessem parecer impossíveis, por tão maravilhosas que eram , Deus nos fala que nada é maravilhoso demais para Ele (v.6). O povo será trazido de volta, habitará em Jerusalém para ser testemunhas destas coisas (v.7-8), e para animar-se a participar deste projeto (v.9).

      Esta situação atual é contrastada com a anterior, de desânimo com a reconstrução. A crise social e econômica em que viviam trazia angústia e insegurança (v.10). Mas agora, Deus se propusera a abençoar o esforço da nação, e suas bênçãos não mais serão retidas (v.11-12). Agora, Israel é bênção entre as nações (v.13). Deus os castigara por sua desobediência; agora, abençoa, em resposta a fé da nação (v.14-15). A honestidade. a sinceridade e a justiça deveriam ser praticada, para manutenção da paz (v.16), sendo alertados que o Senhor aborrece a todo o pensamento mal e a todo juramento falso (v.17).

      Os jejuns serão transformados em festas, agora por Deus (v.19). Israel em comunhão com Deus será um canal de bênçãos para todo o mundo. Assim, as nações serão atraídas para Ele, o que não aconteceria de outra maneira (v.21). As nações terão desejo ardente de conhecer as bênçãos que Israel desfrutará na hora de seu retorno e reavivamento espiritual (v.22,23).

       

      O futuro das nações, Israel e o reino do Messias. 9:1 - 14:21

    9. A primeira sentença. 9:1 - 11:17

 

As vitórias de Alexandre, o Grande. 9:1-8

Os oito capítulos anteriores de Zacarias visam o incentivo da reconstrução do Templo. Os seis capítulos restantes tratam dos acontecimentos muitos distantes do dia do profeta e foram provavelmente escritos por ele muito posteriormente. A primeira parte descreve as conquistas de Alexandre, o Grande, no séc. IV a.C.

Alexandre conquistou um grupo de cidades sírias, mas o que ele queria era possuir Damasco. O terror de o espanto seria, as armas de Alexandre, de modo que os olhos de Israel e dos homens daquele tempo se voltariam para o Senhor em busca de alguma interferência sobrenatural (v. 1-3).

Quando os tiros se fortificaram sobre uma ilha, Alexandre usou as ruínas da velha cidade para construir um molhe, através do qual ele tomou a fortaleza de Tiro na ilha. Depois queimou a cidade e destruiu para sempre sua supremacia marítima (v.5).

No versículo 6, vemos que Alexandre misturava as nações conquistadas. Destes, ou seja, dos filisteus, será tirado o sangue (v.7), alusão ao sacrifício dos filisteus, que comiam-os com sangue, ao contrário da lei mosaica. O pensamento aqui é que eles abandonarão suas práticas e serão incorporados na comunidade judaica.

Alexandre passou várias vezes por Jerusalém e, embora flagelasse aos samaritanos, nunca fez mal aos judeus. Zacarias, profeticamente, passa deste livramento para o livramento final de Israel de todos os seus opressores.

 

O reinado de paz do Messias. 9:9,10

Aqui, apresenta-se na visão de Zacarias o humilde Rei de Israel, justo e salvador, num jumentinho. Destacando-se do sobrerbo Alexandre, o Messias de Israel vem com grande humildade, manifesta pelo seu modo de viajar. O versículo 9 cumpriu-se ao pé da letra na primeira vinda de Cristo.

Zacarias menciona que o Messias virá para destruir todos os instrumentos carnais e anunciará a paz através da autoridade de sua palavra a todas as nações. Notamos também que não há nenhuma expressão sobre a extensão deste domínio.

 

As vitórias dos Macabeus. 9:11-17

Primeiramente, temos mais uma palavra para os cativos em Babilônia, com promessa de bênção no lugar do antigo desespero (v. 11-12). O restante do capítulo prediz as vitórias do período dos Macabeus (II a.C), quando o povo de Israel saiu vitorioso em seu conflito contra Antíoco Epifânio; onde o Senhor é observado entre eles, através de Sua operação (v.13-14). Ainda nos versículos de 15 a 17, vemos o livramento físico e espiritual de Israel. O povo redimido é o deleite do coração divino, como uma coroa que se usa e na qual se gloria. A bondade do Senhor é sem limites.

 

Bênçãos através do reinado do Messias. 10:1-12

Como Israel experimentou das bênçãos da prosperidade, Deus dá seqüência ao processo de crescimento (v.1). No período pré-exílico, a nação geralmente buscava benefícios materiais com os ídolos e os adivinhos. A subseqüente condição da nação deve-se a este descaminhos: em lugar das bênçãos, havia uma seqüência de estragos espirituais. No verso 3, o sentido nos mostra que Deus castigará os líderes, devido ao desvio da função destes. A pedra angular (v.4) sairá de Judá: o Rei Messias. "Todos os chefes juntos" refere-se ao resultado de seu trabalho. Israel será invencível, porque o Senhor estará com eles (v.5), como se jamais tivessem sido rejeitados (v.6); O Senhor sabe como restaurar os anos em que os gafanhotos devoraram. Efraim, o reino do Norte, também participará da vitória do Senhor (v.7). O assobio refere-se a prática de um apicultor, que junta suas abelhas com um assobio. Deus vai ajuntar seu povo dessa maneira e vai multiplicá-lo (v.8). Deus fará voltar da terra do Egíto e da Assíria (v.9-10) e não haverá nenhum obstáculo para a restauração de seu povo (v.11). Toda a vida de Israel e sua conduta será controlada pelo desejo de honrar o Senhor (v.12).

 

A rejeição do Bom Pastor. 11:1-17

Os acontecimentos deste capítulo estão colocados no período do ministério terrestre de Cristo, e sua rejeição pelos israelitas, com suas conseqüências em 70 d.C. Falam da negra história nacional de Israel.

Zacarias, de forma dramática, descreve o juízo de Deus caindo sobre Israel, tragando os gigantescos cedros do Líbano ao Norte (v. 1-2). No versículo 3, Jordão, Basã e Líbano representam a terra em toda sua extensão. A destruição envolvia não somente a terra, mas também seus habitantes.

A causa da destruição acima profetizada é justificada no versículo 4. "As ovelhas destinadas para a matança" é uma referência ao povo de Israel, que, ao rejeitar seu Pastor, soferá terríveis perseguições. As nações nas quais caíssem nas mãos fariam mau uso deles, enriqueceriam-se às suas custas e não teriam o menor sentimento de culpa por isso (v. 5). O Senhor, aqui, decidiu não ter misericórdia deles (v. 6).

Para a execução de sua tarefa, o pasor no Oriente usava uma vara para repelir as feras e outra para ajudar as ovelhas a vencer lugares difíceis, mantendo o rebanho intacto. No versículo 7, essas varas são a Graça (favor) e a União (laços).

No verso 8, um texto de difícil interpretação é "três pastores". Talvez seja uma referência às três classes de líderes em Israel - o profeta, o sacerdote e o magistrado civil. O aborrecimento entre as ovelhas e o pastor é mútio, e assim ele resolve abandoná-las. O símbolo deste rompimento é a quebra da vara da graça. Poucos piedosos percebiam esses acontecimentos (v. 8-11).

Uma idéia da rejeição de Israel por seu Messias aparece no versículo seguinte. O Pastor pede para que seu trabalho seja avaliado, e o preço era ínfimo: trinta moedas de prata, o preço de um escravo sem valor. O desprazer do Senhor por causa desta avaliação é mostrado pelo profeta, que deveria lançar sobre o oleiro esse valor desprezível, cujo estoque valia uma ninharia e poderia ser facilmente substituído. Isso deveria ser feito no lugar mais público e mais solene de todos, na Casa do Senhor. (v.13). Assim, a segunda vara é quebrada, Israel e fragmentada através de muitas divisões (v.14)

Por rejeitarem o verdadeiro Pastor, agora eles terão um falso pastor, que servirá a si mesmo. O juízo do Senhor recairá sobre ele, com um golpe sobre o órgão do poder e da inteligência (braço e olho) (v.16-17).

A segunda sentença. 12:1 - 14:21

 

Os poderes mundiais contra Jerusalém. 12:1-14

A sentença final compreende os três últimos capítulos. Deus se apresenta na plenitude de seu poder e da sua humanidade, por causa da significância dos pronunciamentos a serem feitos. Vejamos:

Deus triunfará sobre os inimigos, tanto privando-os de sua força, como concedendo poder a Israel para resitir a seus adversários (v.5-6). Ele libertará todas as regiões da terra mais afastadas e menos defendidas, antes de libertar a capital. O Anjo do Senhor estará com eles (v. 7-9).

Logo após, Deus derramará sobre a nação um espírito de graça e de súplicas, e chorarão como se chora amargamente pelo unigênito. A tristeza tomará conta de todos (v. 10-14).

 

 

A terra e o povo purifcados. 13:1-6

Os acontecimentos acima descritos levarão a purificação da nação. Ela será totalmente limpa dos pecados e da impureza de modo que esquecerá totalmente os ídolos. O espírito imundo - Satanás - é o espírito que está por trás de toda a idolatria. Deste esse dia o falso profeta negará seu ofício, mas será desmascarado.

O Pastor ferido e o remanescente. 13:7-9

Deus, aqui, ferirá o seu Pastor, Jesus Cristo, com a espada, símbolo do mais alto poder judicial. Deus fala com ele em pé de igualdade: "Meu companheiro" (meu igual) significa "irmão". O pastor, sendo ferido, acarretou a dispersão de Israel; o seu remanescente, entretanto, está seguro em sua mão. Deus eliminará grande parte da nação - os incrédulos - e o restante será purificado, e esse remanescente reconhecerá a Deus e Deus se agradará deles.

O Retorno Visível do Messias. 14:1-5

O profeta reverte ao tema da confederação mundial contra Jerusalém, já exposta no capítulo 12. A época é aquela que precede a volta do Messias à terra, quando o Senhor irá vindicar finalmente Sua justiça. Seus inimigos, tranquilamente, dividem o seu despojo (v.1). Tudo isso será de acordo com a vontade do Senhor, que ajuntaas nações para que se lancem contra Israel (v.2). Quando a situação tornar-se a pior possível, o Senhor virá defender Sua causa (v.3). O versículo 4 traz uma imagem muito clara a respeito da volta do Messias, cujos pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, que será fendido ao meio, e por onde o povo poderá escapar, através deste caminho. Então aparecerá o Filho de Deus (v.5).

O Reino Santo do Messias. 14:6-21

A volta do Messias será fora do comum, e isso se revelará nos fenômenos da natureza (v.6-8). O Senhor será Rei sobre toda a terra, e Sua glória será adorada em todo o Universo. O pecado, as lutas e as guerras não mais existirão (v.9-11).

O Senhor será vitorioso sobre os exércitos invasores; confusão geral completarão a obra da devastação. A perda das nações será em vidas, riqueza e acessórios; também seus animais sofrerão (v.12-15).

As nações que sobreviverão à guerra adorarão ao Senhor, especialmente celebrando as festa dos Tabernáculos, da alegria e do repouso. Toda nação que não for representada diante de Deus não terá parte de suas bênçãos, nem que sejam os egípcios (v.16-18).

Tudo aquilo que fora utilizado para a guerra e para propósitos pessoais será tornado Santo ao Senhor. Os cavalos, as panelas, tudo será santificado. Não mais haverá a distinção entre o sagrado e o profano, pois, com a remoção do pecado no reino do Messias, um objeto será tão santo quanto o outro (v. 19-21a).

"Já não haverá mercador" é uma referência ao cananeu (fenício), que tem seu nome ligado à práticas ímpias, pois esses mercadores e marinheiros eram inescrupulosos. Agora, todos seriam santos (v. 21b).

Ronaldo R. da C.


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